quarta-feira, 19 de abril de 2017

DUAS CELEBRAÇÕES PASCAIS LEIGAS


Já no ano passado, como não tínhamos padres presentes entre nós (o irmão Marcelo Barros, nosso orientador espiritual, estava no México), decidimos fazer uma das celebrações do Tríduo Pascal - a Vigília Pascal no sábado santo -  como muitas comunidades eclesiais de base fazem em todo o Brasil e outros países da América Latina - de forma laical e sem padre.

Celebrando como compreendemos que, nas Igrejas primitivas, celebravam os primeiros cristãos - nas casas e de forma doméstica. E documentos eclesiais até o século II mostram que as comunidades celebravam juntas a memória de Jesus, mesmo quando não podiam contar com a presença de ministros ordenados. E no ano passado, essa experiência foi tão boa e fecunda para  a unidade do grupo que, nesse ano, resolvemos retomar a mesma experiência.

 Dessa vez, o irmão Marcelo voltou de viagem na véspera da 5a feira santa, mas chegou imobilizado por uma fratura de fêmur e, por cuja recuperação, damos graças ao Deus libertador de todas as dores. Por isso, na 5a feira santa, às 18 horas, o Encontro da Partilha, o Fé e Política Dom Helder Camara, IDHeC, Igreja Nova e irmãos e irmãs de outros grupos como Tenda da Fé, CEBI e MTC, se reuniram na varanda das Fronteiras (Espaço Dom Lamartine) e ali, em torno de uma mesa, foi feita a memória da ceia de Jesus. E aqui, queremos deixar claro que não foi celebrada a Santa Missa e sim  um ágape fraterno e ecumênico.

Se toda a missa é comunhão então ela poderia ser ecumênica. Como a igreja tem o cuidado de que essa unidade seja trabalhada e não seja uma coisa superficial, ela reserva a eucaristia para aqueles que são católicos e, em nossos Encontros, celebramos um ágape ecumênico. Não é uma missa, é uma celebração em que a gente retoma a memória da ceia de Jesus para que seja, um dia, celebrada por todas as igrejas cristãs de uma maneira unida.

Na Quinta-feira o grupo era mais ou menos de umas 20 pessoas. A coordenação coube, como no ano passado, a Heloísa  e Verônica.

Elas, ao lado do irmão Marcelo, sempre sentado devido à sua recuperação, ajudaram a comunidade a lembrar a Páscoa de Israel - na noite em que as comunidades judaicas fazem a ceia pascal - e a ceia de Jesus, com o gesto do lava-pés. Todo mundo lavou os pés de todo mundo. Para o grupo, aquele era um sinal do serviço recíproco que prestamos uns aos outrosm como também um compromisso de assumirmos e aceitarmos as fragilidades uns dos outros, salvos pela cruz de Jesus, prefigurada no seu gesto de depor as vestes e lavar os pés dos discípulos. Lembramos então a própria instituição da ceia de Jesus como profecia de doação da vida e partilha.

No sábado à noite, novamente os grupos se reuniram em torno das 18h30min para mais um ágape ecumênico. Havia em torno de 35 pessoas. Um irmão começou lendo uma homilia de Santo Agostinho para a noite da Páscoa: “essa é a mãe de todas as vigílias da Igreja e todo cristão deve celebrá-la para viver com Jesus a vida nova que o Pai lhe deu nessa madrugada que hoje celebramos". 

Em seguida, todos se dirigiram para a frente da Igreja, reunidos em redor do fogo novo da Páscoa. Ali foram lembradas as escuridões que ainda ameaçam a nossa vida e a vida do nosso povo. As irmãs abençoaram o Círio pascal e seguindo a luz do Círio, retornaram à varanda, onde escutaram e participaram do alegre anúncio da Páscoa (o Exsultet). Depois, foi feita a  memória das páscoas antigas de Deus com o seu povo. Lembrando a criação, foi assumido em conjunto o compromisso de cuidado com a Casa Comum, como chama o papa Francisco. Depois, foi lida a carta aos romanos, de  São Paulo,   dizendo que "nós que somos batizados, morremos e ressuscitamos com Jesus para uma vida nova"

Heloísa  ajudou a cantar o Aleluia da Páscoa e Leda Alves, que  deu a todos a alegria de sua presença,  proclamou o evangelho da ressurreição. A meditação, feita em comum e em forma de diálogo foi sobre como o anúncio da ressurreição foi entregue às mulheres. E como hoje ainda as mulheres são profetizas da ressurreição de Jesus e de um novo modo do mundo se organizar. 

O padre Antônio, que apareceu para celebrar com o grupo e se inseriu em no modo que a Partilha costuma celebrar, contou que nesses dias, o papa Francisco equiparou na liturgia romana a festa de Santa Maria Madalena à mesma dignidade da festa dos apóstolos. Ela é apóstola dos apóstolos. Depois juntos, todos fizeram a bênção do pão e do vinho e repartiram juntos o bolo e chocolate que foram levados. A despedida foi cada um abençoando uns aos outros, umas às outras, com as mesmas palavras com as quais os primeiros cristãos se saudavam: "O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia". 

Foi muito gratificante contar com a presença de irmãos e irmãs que participaram pela primeira vez das celebrações da Partilha, partilhando esses dois momentos tão importantes na celebração da Paixão de Jesus Cristo.

O grupo Encontro da Partilha se reúne uma vez por mês, sempre aos sábados, no Espaço  Dom Lamartine, terraço da igreja das Fronteiras, das 15h às 17h.

CELEBRAÇÃO DA QUINTA-FEIRA SANTA




Nenhum comentário:

Postar um comentário