segunda-feira, 13 de março de 2017

COMO VIVER A PÁSCOA HOJE NO BRASIL E NO MUNDO?


A preparação para a grande festa da ressurreição do Senhor, a Páscoa, começa na quarta-feira de cinzas, início do tempo da Quaresma.

E, foi com o objetivo de fazer uma reflexão e uma preparação para viver concretamente a Páscoa que alguns  grupos se reuniram na sede do MTC – Movimento de trabalhadores Cristãos, na tarde do sábado 04 de março, para um pequeno retiro, tendo como pregador o monge Marcelo Barros.











Os grupos Encontro da Partilha, Fé e Política Dom Helder Camara, Leigos Católicos Igreja Nova, Tenda da Fé, o Fórum Articulação de Leigos Cristãos e o IDHeC – Instituto Dom Helder Camara, juntaram-se, na parte da tarde, aos que já estavam no local, desde a parte da manhã, refletindo sobre a Campanha da Fraternidade 2017: Instituto Missionário Franciscano Filhos de Maria, Missionários de Jesus Crucificado, Carmelitas, Servas Franciscanas , Franciscanas de Bom Conselho, Franciscanas Maristela e MTC.





Ao todo participaram cerca de 50 pessoas, todas voltadas para um único objetivo: viver a Páscoa da forma mais fiel possível.

No chão, um quadro que irmã Adélia pintou e presenteou Marcelo Barros, mostrava uma mulher representando a mãe natureza, permanentemente grávida, sempre pronta a dar a luz a vida, tendo ao lado um globo terrestre, a Bíblia, uma vela acesa, um jarrinho com um cacto, uma foto de Dom Helder, ladeado por Pe. José Comblin e Pe. Geraldo Leite , em uma caminhada em Ponte dos Carvalhos e um pano roxo, mostrando que estamos no tempo da Quaresma. Juntos, o planeta Terra, a mãe natureza, a vela que ilumina os caminhos, o cacto que teima em sobreviver à seca, a Palavra de Deus e Dom Helder, nos chamavam a viver a Quaresma de forma a nos prepararmos para a morte do ser humano velho e o renascimento com Cristo em Páscoa que, verdadeiramente, signifique uma passagem, uma transformação.






O Retiro foi aberto com a exibição do vídeo do hino da Campanha da Fraternidade desse ano e, em seguida, cada um dos presentes se apresentou, dizendo seu nome e o grupo ao qual pertencia.


Um belo repente falando sobre a conscientização na preservação do meio ambiente deu continuidade ao Retiro, em sintonia com o tema da Campanha da Fraternidade.


De mão em mão, o globo terrestre foi sendo entregue, simbolizando o cuidado que cada um deve ter com o planeta.







Marcelo Barros transmitiu um recado que Dom Pedro Casaldáliga enviou aos participantes do Retiro: que fossem levados em consideração dois elementos: Retiro de que e Para que?

De que?

Durante a nossa vida nos criamos algumas dependências, das quais até gostamos. Mas, Páscoa é libertação. Não existe Páscoa de aceitamos a nossa escravidão, sem uma busca pela liberdade. Se para nossa libertação precisamos dar 20 passos, comecemos com um passo de cada vez.

Para que?

Os presentes se dividiram em pequenos grupos, alguns com seus colegas de comunidade, outros variados, para refletir sobre: Deus está me pedindo para sair de que? E para que?

- E, como grupo, como comunidade, o que Deus pede para fazermos? Sairmos de onde e para onde?

Várias foram as conclusões dos pequenos grupos formados, como a necessidade de partilhar o que se aprende, de partir para ações mais concretas, além de reflexões. Não dá para ficar parado. Os grupos, as comunidades, têm que ser IGREJA EM SAÍDA.


Como a ciranda que todos dançaram, de mãos dadas, cantando Momento Novo: Por isso vem, entra na roda com a gente, também, você é muito importante, vem ...

A luta para transformar o mundo passa pela união da Fé e da política. E, nesse caso, não se trata de fazer do grupo ou comunidade fazer política partidária.  Mas sim ter a consciência de que a libertação passa pela fé e pela política, por aquilo que se acredita e pela vida.

E, viver hoje a Páscoa é não ser conivente com o que leva à escravidão da fome, da miséria e da pobreza. Enquanto houver fome e miséria no mundo, a Páscoa não será completa.

Dom Helder dizia que “A fome dos outros condena a civilização dos que não têm fome” .  Portanto, cada cristão, cada cristã, tem a missão assumir o protagonismo de fazer acontecer a verdadeira Páscoa na Igreja; de inverter a realidade, para que A civilização dos que não têm fome seja a mesma para toda a humanidade; uma civilização sem miséria, como sonhou Dom Helder.





O papa Francisco nos pede duas coisas nessa Quaresma:

1 – A Volta ao essencial da Fé, às raízes, à Igreja dos primórdios, à essência do cristianismo. Uma Fé voltada para a partilha, onde o cristianismo seja vivido no meio da vida e não seja apenas palavras repetidas, vãs e inertes.

Voltar à essência da Fé é ter misericórdia, ser íntimo de Deus e não realizar sacrifícios que em nada contribuem para melhorar a vida de nossos irmãos e irmãs.

2 – IGREJA EM SAÍDA – É  preciso que tenhamos a consciência de que o Deus que habita em mim não é minha propriedade, não é exclusivo meu. Ele é para ser levado aos outros, ao nosso próximo. E, aqui, vai uma sugestão de Dom Helder para se fazer na Quaresma. Ele dizia que “Eis um programa concreto de Quaresma: identificar nosso próximo de hoje. Próximo que mora conosco. Próximo que é nosso vizinho no trabalho.

Próximo, vizinho de apartamento e de rua. Próximo que surge em nossa frente, e nos procura, e nos fala ou tenta falar-nos!

E não vale selecionar entre próximo simpático e próximo antipático. Caiu na rede é próximo. Se é próximo é Cristo´.

Finalizando a pregação do Retiro, Marcelo Barros colocou os seguintes questionamentos:

- Como podemos, nessa Quaresma, em nossos grupos, fazer alguma coisa para unir esses dois pontos: voltar à essência da Fé e viver uma Igreja em Saída?

- O que fazer para encontrar o essencial?

- Qual a dificuldade para seguir esse caminho?

O Retiro foi encerrado com uma celebração onde a presença da comunhão se fez sentir, não apenas na partilha do pão, mas também na partilha da fé, dos ideais e da firme proposta de ser protagonista de um cristianismo autêntico, tendo como base os Evangelhos, que nos mostra o caminho da verdade e da vida.












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