quarta-feira, 16 de maio de 2018

A INDIGNAÇÃO PROFÉTICA DE QUEM AMA



Desde que a justiça liberou visitas religiosas, fui o segundo a ter a graça de visitar o presidente Lula em sua prisão. (Quem abriu a fila foi Leonardo Boff na segunda-feira passada). 

Eram exatamente 16 horas quando cheguei na dependência da Polícia Federal, onde o presidente está aprisionado. Encontrei-o sentado na mesa, devorando livros, entre os quais vários de espiritualidade, levados por Leonardo. 

Cumprimentou-me. Entreguei as muitas cartas e mensagens que levei, algumas com fotografias. (Mensagem do Seminário do Fé e Política, de um núcleo do Congresso do Povo na periferia do Recife, da ASA (Articulação do Semi-árido de Pernambuco) e de muitos amigos e amigas que mandaram mensagens. Ele olhou uma a uma com atenção e curiosidade. E depois concluiu: 

- De saúde, estou bem, sereno e firme no que é meu projeto de vida que é servir ao povo brasileiro como atualmente tenho consciência de que eu posso e devo. Você veio me trazer um apoio espiritual. E o que eu preciso é como lidar cada dia com uma indignação imensa contra os bandidos responsáveis por essa armação política da qual sou vítima, ao mesmo tempo sem dar lugar ao ódio. 

Respondi que, nos tempos do Nazismo, Etty Hillesum,  jovem judia, condenada à morte, esperava a hora da execução em um campo de concentração. E, naquela situação, ela escreveu em seu diário: “Eles podem roubar tudo de nós, menos nossa humanidade. Nunca poderemos permitir que eles façam de nós cópias de si mesmos, prisioneiros do ódio e da intolerância”. 

Vi que ele me escutava com atenção e acolhida. E ele começou a me contar a história de sua infância. Contou como, depois de se separar do marido, dona Lindu saiu do sertão de Pernambuco em um pau de arara com todos os filhos, dos quais ele (Lula) com cinco anos e uma menina com dois. Lembrou que quando era menino, por um tempo, ajudava o tio em uma venda. E queria provar um chiclete americano que tinha aparecido naqueles anos. Assim como na feira, queria experimentar uma maçã argentina que nunca havia provado. No entanto, nunca provou nem uma coisa nem outra para não envergonhar a mãe. E aí ele prosseguia com lágrimas nos olhos: Agora esses moleques vêm me chamar de ladrão. Eu passei oito anos na presidência. Nunca me permiti ir com Marisa a um restaurante de luxo, nunca fiz visitas de diplomacia na casa de ninguém... Fiquei ali trabalhando sem parar quase noite e dia... E agora, os caras me tratam dessa maneira... 

Eu também estava emocionado. O que pude responder foi:

- O senhor sabe que as pessoas conscientes, o povo organizado em movimentos sociais no Brasil inteiro acreditam na sua inocência e sofrem com a injustiça que lhe fizeram. Na Bíblia, há uma figura que se chama o Servo Sofredor de Deus que se torna instrumento de libertação de todos a partir do seu sofrimento pessoal. Penso que o senhor encarna hoje, no Brasil essa missão. 

Comecei a falar da situação da região onde ele nasceu e lhe dei a notícia de que a ASA (Articulação do Semi-árido) e outros organismos sociais estão planejando um grande evento para o dia 13 de junho em Caetés, a cidadezinha natal dele. Chamar-se-á “ Caravana do Semi-árido pela Vida e pela Democracia”  (contra a Fome – atualmente de novo presente na região – e por Lula livre). A partir daquela manifestação, três ônibus sairão em uma caravana de Caetés a Curitiba para ir conversando com a população por cada dia por onde passará até chegar em Curitiba e fazer uma festa de São João Nordestino em frente à Polícia Federal. 

Ele riu, se interessou e me pediu que gravasse um pen-drive com músicas de cantores de Pernambuco, dos quais ele gosta. Música de qualidade e que não estão no circuito comercial. Vergonha. Nunca tinha ouvido falar de nenhum e nem onde encontrar. Ele me disse que me mandaria os nomes pelo advogado e eu prometi que gravaria. Eu tinha levado a ele um CD do Zé Vicente (Nativo) e ele me pareceu gostar, embora não tenha como escutá-lo naquela cela sem direito a nenhum computador, nem gravador, nem nada de som. Mas, vi que ele guardou com carinho. 

Distenção feita, ele quis me mostrar uma fotografia na parede na qual ele juntou os netos. Explicou quem é cada um/uma e a sua bisneta de dois anos (como parece com dona Marisa, meu Deus!). Começou a falar mais da família e especialmente lembrou um irmão que está com câncer. Isso o fez lembrar que quando Dona Lindu faleceu, ele estava na prisão e o Coronel Tuma permitiu que ele saísse da prisão e com dois guardas fosse ao sepultamento da mãe. No cemitério, havia uma pequena multidão de companheiros que não queriam deixar que ele voltasse preso. Ele teve de sair do carro da polícia e falar com eles pedindo para que deixassem que ele cumprisse o que tinha sido acertado. E assim voltou à prisão. 

A hora da visita se passou rápido. Perguntei que recado ele queria mandar para a Vigília do Acampamento e para as pessoas às quais estou ligado. Ele respondeu:

- Diga que estou sereno, embora indignado com a injustiça sofrida. Mas, se eu desistir da campanha, de certa forma estou reconhecendo que tenho culpa. Nunca farei isso. Vou até o fim. Creio que na realidade atual brasileira, tenho condições de ajudar o Brasil a voltar a ser um país mais justo e a lutar para que, juntos, construamos um mundo no qual todos tenham direitos iguais.  

Para concluir a visita, propus ler um texto do evangelho e ele aceitou. Li o evangelho do próximo domingo – festa de Pentecostes e apliquei a ele – os discípulos que estão em uma sala fechada, Jesus que se deixa ver, mesmo para além das paredes que fechavam a sala. E deu aos seus a paz, a alegria e a capacidade de perdoar no sentido de discernir o julgamento de Deus sobre o mundo. E soprando sobre eles lhes deu a vida nova do Espírito. Segurei em suas mãos e disse: Creio profundamente que isso se renova hoje com você. Vi que ele estava emocionado. Eu também fiquei. Abri o pequeno estojo e lhe mostrei a hóstia consagrada que lhe tinha trazido da eucaristia celebrada na véspera. Oramos juntos e de mãos dadas o Pai Nosso. Eu tinha trazido duas hóstias. Eu lhe dei a comunhão e ele me deu também para ser verdadeiramente comunhão. Em um instante, eram vocês todos/as que estavam ali naquele momento celebrativo  e eu disse a ele: “Como uma alma só, uma espécie de espírito coletivo, muita gente – muitos companheiros e companheiras estão aqui conosco e estão em comunhão e essa comunhão eucarística representa isso. Eu lhe dei a bênção e pedi a bênção dele para todos vocês. Foi isso. 


Quando o policial que me foi buscar me levou para fora e a porta se fechou atrás de mim, me deu a sensação profunda de algo diferente. Senti como se eu tivesse saído de um espaço de liberdade espiritual e tivesse entrando na cela engradeada do mundo que queremos transformar. Que o Espírito de Deus que a celebração desses dias invoca sobre nós e sobre o mundo nos mergulhe no amor e nos dê a liberdade interior para irmos além de todas essas grades que aprisionam o mundo. 

* Este relato foi escrito pelo monge benedito Marcelo Barros após a visita a Lula, nessa segunda-feira, 14 de maio, enviado aos amigos e, posteriormente postado em diversos blogs e páginas do face como Diário do Centro do Mundo e Brasil 247, entre outros.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

NOTA DO FÓRUM ARTICULAÇÃO DE LEIGOS E LEIGAS CRISTÃOS EM APOIO A DOM FERNANDO SABURIDO


O verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus”. Dom Helder Camara

Foi por acreditar nessa verdade que Dom Helder Camara lutou para que todos os seres humanos tivessem seus direitos assegurados. É, sem a menor dúvida, o guardião, o patrono, e por que não dizer, o Profeta dos direitos humanos, no Brasil e, quiçá, no mundo.

E é por isso que apoiamos, incondicionalmente, o arcebispo Dom Fernando Saburido, quando nos conclama a exigirmos dos poderes públicos coerência em seus posicionamentos e a continuarmos firmes  em nossa luta pelo resgate dos direitos que foram usurpados da população brasileira como o congelamento, por vinte anos, dos recursos para saúde e educação, o esmagamento da CLT com a perda dos direitos trabalhistas e a famigerada reforma da previdência que pende, como uma espada, sobre as nossas cabeças.

Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Esse é o legado de cada cristão, de cada cristã, de cada pessoa que acredita em mundo novo possível. Essa é a nossa bandeira. É dessa luta que Dom Helder foi e sempre será o patrono e inspirador.

Recife, 09 de janeiro de 2018.

Fórum Articulação de Leigos e Leigas
Arquidiocese de Olinda e Recife

Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida-Comitê Pernambucano/ Ação Viva

Associação dos Trapeiros de Emaús - Recife

CDH/OAB - Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil/PE

CEBI - Centro de Estudos Bíblicos

CEB´s

Centro Educacional Profissionalizante do Flau - Turma do Flau

Comissão de Direitos Humanos Dom Helder Camara da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE

Grupo de Partilha Amigos para Sempre na Fé e na Vida

Grupo de Leigos Católicos Igreja Nova

Grupo Encontro da Partilha

Grupo Fé e Política Dom Helder Câmara

Grupo Mulher Maravilha

IDHeC – Instituto Dom Helder Camara

MCC - Movimento de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Olinda e Recife

MPC – Movimento de Profissionais Cristãos

MIRE  - Mística e Revolução

MTC/NE II - Movimento de Trabalhadores Cristãos

RCB – Renovação Cristã do Brasil

Tenda da Fé


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

CARTA ABERTA A DOM HELDER

                 

 Recife, 29 de dezembro de 2017

Querido Dom Helder Camara,
                     
 Nesse Natal, a saudade bate como nunca. Dá-me uma vontade louca de conversar com você. Não tenho saudade dos anos 60, nos quais, pelas suas mãos, fui ordenado presbítero para o povo de Deus. Nem quereria voltar aos anos 70, quando tive a graça de ser seu secretário para assuntos ecumênicos. Na linha da espiritualidade de Natal, quero mesmo assumir a realidade do aqui e agora. Só tenho saudade é de ouvir sua voz e saber suas posições a respeito de algumas coisas que estão acontecendo.

Qualquer dia, lhe escrevo com notícias sobre a nossa querida arquidiocese. Agora, quero falar mesmo do Brasil. Hoje pela manhã, passando no aeroporto de São Paulo, por acaso, entro no email e leio uma mensagem do amigo Roberto Malvezzi (Gogó), contando que o governo Temer decretou que você, (acredite se quiser, você, Dom Helder Camara), é o patrono nacional dos Direitos Humanos. Depois, João Pedro completou a informação de que se tratava de uma proposta de um deputado chamado Arnaldo Jordy do PPS do Pará que tramita na Câmara desde 2015 e que agora o Temer resolveu sancionar. Sem deixar claro porque fazia isso e que sentido tinha essa homenagem repentina. Gostaria muito de que você pudesse se manifestar a respeito dessa iniciativa de um governo como esse que  o torna patrono nacional dos Direitos Humanos. Isso é uma honra ou é um insulto? Que Direitos são esses? E de quais humanos? Os que estão no governo e dele se beneficiam? Quais direitos humanos sobraram do congelamento de gastos do governo em educação e saúde? De que direitos humanos o governo pensa que você é patrono - os que ainda podem restar depois das regras e normas baixadas para aliviar a barra dos latifundiários e donos de empresas que praticam trabalho escravo em suas propriedades? Os direitos humanos do povo que sem votar perde todos os dias direitos adquiridos a suor e sangue na Constituição de 1988? Que direitos humanos terão os cadáveres dos pobres que morrem sem poder aposentar-se por causa da reforma pensada pelo governo Temer?

                     Vai ver que nesse Natal baixou o Espírito que anunciou a Maria a novidade da encarnação do Verbo e Temer pensou nos direitos humanos dos que votaram no governo Dilma e se arrependeu da traição que fez e do golpe que deu? Será que ele quer pedir ao Moro e ao Gilmar Mendes que leve em conta os direitos humanos de Lula e dos políticos do PT que eles tanto odeiam? O que será que está por trás dessa iniciativa do Temer?

                      Parece que os poderes no Brasil gostam de usar o seu nome quando precisam de limpar alguma barra suja. Em 2010, o Senado Federal aprovou um aumento de 60% para os salários dos senadores. A notícia repercutiu mal no Brasil. Poucos dias depois, o Senado aprovou conceder a comenda Dom Helder Camara para os Direitos Humanos a um bispo católico. No caso era Dom Edmilson Cruz, então bispo de Limoeiro do Norte, no Ceará. No céu, você ter sabido do que aconteceu. O bispo foi ao Senado e em discurso aberto rejeitou a comenda. Disse que seria incoerente se aceitasse aquela comenda dada pelo mesmo Congresso que legislava contra o povo e disse claro: "Quem age assim não é parlamentar. É para lamentar". 

Ainda nos anos 60, o governo militar resolveu conceder uma medalha da Paz a Dom Abade Basílio Penido e a dois bispos de Pernambuco (Dom Augusto - de Caruaru e Dom Milton de Garanhuns). Dom Abade tinha ainda um bom diálogo com generais do IV Exército. Mas, alguém o advertiu de que aquela homenagem era para manifestar que na Igreja nem todos tinham a linha "radical" de Dom Helder Camara, na época, já muito criticado. Dom Abade se sentiu muito tentado a receber, mas em contato com os dois bispos (mais tradicionais e até ingênuos), os três decidiram rejeitar e dizer por que. Não era normal eles serem homenageados em um momento como aquele e sem nenhuma referência ao arcebispo.

                    Lutero dizia que "Deus prefere o insulto de quem é justo do que o louvor de quem pratica injustiça". Você, Dom Helder, sempre agiu assim. Como iria aceitar tal homenagem? Mas, quem pode atualmente lhe representar para dizer claramente ao governo Temer e ao povo brasileiro porque você se sentiria constrangido em aceitar tal homenagem e que só a aceitaria se o governo mudasse totalmente o seu modo de conceber o p poder e a orientação que tem em sua gestão. Quem pode lhe representar?

Roberto Malvezzi escreveu que alguns bispos (não sei quais) já manifestaram o seu protesto contra essa medida. Talvez, haja um ou outro que pense: "Se a medida é justa e correta, pouco importa quem a faz e com que intenção. A medida é boa e deve ser apoiada". Parece que Jesus não pensou assim quando contestou o doutor da lei que o chamou de bom. "Por que me chamas de bom?". Em outras palavras: "Que direito você tem para me chamar de bom? Só Deus é bom" (Mc 10, 17 ss).

Talvez, o mais pedagógico fosse que todos os cidadãos brasileiros, incomodados ou mesmo agredidos por essa homenagem declarem que o governo não tem o direito de usar o nome Helder Camara para seus propósitos maquiavélicos e deletérios. Esperemos que o Instituto Dom Helder Camara (IDHEC) se manifeste, que a Escola de Fé e Política Dom Helder Camara se posicione, que a Agência de Notícias Dom Helder Camara da CNBB denuncie e que todos os movimentos sociais gritem contra essa medida e anulem qualquer tramoia que esse governo golpista e insensível aos pobres tenha planejado.

                  No Natal, celebramos os santos inocentes, crianças que, segundo a tradição, foram mortas por Herodes. Hoje, devemos ser santos lúcidos, críticos e atentos ao que ocorre no mundo. José Saramago critica São José pelo fato de que, quando avisado em sonhos de que Herodes iria matar as crianças de Belém, fugiu sem antes ter advertido aos vizinhos e protegido as outras famílias. Apesar de saber que essa história é um midrash narrativo e não um fato real, atualmente temos de ser mais cuidadosos e não deixar primeiro que os inocentes morram para depois fazê-los santos. Dom Helder, você sempre foi e é nosso patrono dos direitos humanos, mas não os do governo Temer e sim os das organizações sociais que nesse 2018 vão refazer várias de suas campanhas e vão mudar o Brasil. Inspire-nos nesse caminho e nos abençoe. Seu irmão menor Marcelo (o monge do qual vc fala que jovem lhe procurou em crise de vocação e que você aconselhou. Você fala dele em uma de suas vigílias em 1965, mas evita dizer meu nome para não me expor). Agora não há mais esse risco e podemos sim colocar o nome de todos nós na sua vigília pelo Brasil.


              Abençoe o seu filho Marcelo 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA DO FÓRUM ARTICULAÇÃO DE LEIGXOS

É hoje a celebração Ecumênica do Fórum Articulação de Leigxos, no MTC, na rua Gervásio PIres, 404, próximo à av. Cde da Boa Vista, às 19h. Venha celebrar conosco o Advento e se preparar para receber o Natal. Pratos para uma partilha após a celebração serão muito bem vindos. Estamos esperando por você. O Encontro da Partilha faz parte do Fórum ao lado de vários outros grupos, movimentos, pastorais e instituições da Arquidiocese de Olinda e Recife. Por isso vem, entra na roda com a gente, também, você é muito importante... vem!


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

RODA DE DIÁLOGO: FÉ E CIDADANIA



A Roda de Diálogo é uma iniciativa de dois grupos independentes, o Encontro da Partilha e o Fé e Política Dom Helder Camara, em parceria com o Instituto Humanitas, da Universidade Católica de Pernambuco. Parceria que teve início em outubro do ano passado com a realização da primeira Roda de Diálogo UMA NOVA PRIMAVERA NA IGREJA, com dois eventos. O primeiro no dia 13, uma conversa com Leonardo Boff falando sobre Compaixão, Espiritualidade e Cuidado e, no dia 14, com Marcelo Barros e Vera Baroni, sobre Religiões Afro – Diálogos e Raízes, com a mediação do Pe. Clovis Cabral, da Universidade Católica.

A segunda Roda de Diálogo, que aconteceu  no dia 21 de agosto no auditório Dom Helder Camara, na UNICAP,  teve como tema FÉ E CIDADANIA e contou com a participação de Antônio Carlos Aguiar e Maria Luiza Alessio, coordenador e vice-coordenadora da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife. A mediação foi do Prof. Carlos Vieira, do Instituto Humanitas.

A proposta dessa Roda de Diálogo foi proporcionar uma maior aproximação entre a nova Comissão de Justiça e Paz e os cidadãos e cidadãs da Arquidiocese, em um diálogo aberto onde foram colocadas as ideias, os objetivos, planejamento e propostas na defesa da justiça e na promoção dos direitos humanos.

A II Roda de Diálogo cumpriu a sua proposta, de apresentar a nova Comissão de Justiça e Paz aos participantes, representantes dos diversos setores da Arquidiocese de Olinda e Recife.

Empenhado como era em defender o direito à vida de cada cidadão, de cada cidadã, seus irmãos e irmãs, além de sair pelo mundo denunciando as atrocidades praticadas no país pela ditadura, Dom Helder criou, em 1977, a Comissão de Justiça e Paz, importantíssima para a defesa dos presos políticos e perseguidos pelo regime militar. Sua atuação era uma forma de promover os direitos humanos - direitos sociais, civis e políticos, assim como os direitos econômicos, culturais e ambientais-, à luz da doutrina social da Igreja.

Ao ser desfeita em 1985, por dom José Cardoso, então arcebispo de Olinda e Recife, seus membros fundaram o CENDHEC – Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social, uma organização não governamental que, até hoje, atua com competência e empenho em duas áreas muito importantes para a população carente: o direito à cidade e a defesa dos direitos da criança e do adolescente.

O atual arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, percebeu a necessidade de ter, a cargo da própria Arquidiocese, uma comissão que atue na defesa dos direitos humanos de uma maneira mais ampla. E, por isso, decidiu por refundar a Comissão de Justiça e paz. A missão da Comissão refundada no dia 25 de maio deste ano é a mesma de quando foi fundada há 40 anos, sob a supervisão de Dom Helder: a promoção dos direitos humanos.

O coordenador da CJP, Antônio Carlos Aguiar, apresentou a um estudo da situação hoje do mundo em relação aos direitos humanos, as perdas e também a situação específica em que se encontra o Brasil. Maria Luiza Alessio, a vice-coordenadora da CJP, apresentou as propostas da Comissão, seus objetivos, salientando a vontade eo empenho, que essa nova Comissão tem, em trabalhar em prol da promoção humana.

E, para isso, a Comissão tem procurado escutar a população, através de reuniões que já vêm sendo feitas com representantes de diversos segmentos. Mas, o grande passo para esse entendimento será dado através da realização de um seminário, nos dias 27 e 28 de outubro, na Universidade Católica, onde os movimentos populares, grupos, serviços, pastorais e lideranças poderão colocar as sus expectativas, sugestões e propostas.

Em breve a Comissão de Justiça e Paz  dará informações sobre o seminário e a forma de participação.

Fiquemos atentos ás informações e vamos todos e todas participar do seminário e levar a nossa contribuição.

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